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Identificação de ossadas das valas clandestinas de Perus, entre elas desaparecidos políticos, está perto do fim

Em nova audiência, o Núcleo de Ações Complexas do Gabinete de Conciliação do TRF-3 deliberou sobre as ações adotadas pela União para a continuidade e finalização do trabalho de identificação das ossadas encontradas em valas clandestinas no Cemitério Dom Bosco, em São Paulo, conhecido como Cemitério de Perus. 


Estima-se que foram enterrados nas valas de Perus os corpos de mais de mil pessoas, parte delas desaparecidos políticos mortos pela ditadura militar no Brasil (1964 a 1985). 


Durante a videoaudiência, conduzida pelo juiz federal conciliador Eurico Zecchin Maiolino, o Centro de Antropologia e Arqueologia Forense da Universidade Federal de São Paulo (CAAF/Unifesp), responsável pelo trabalho, informou que já realizou a coleta de amostra em 56 dos 151 remanescentes ósseos. A instituição prevê a conclusão dos 95 restantes até a terceira semana de dezembro.

A finalização da primeira fase dos trabalhos, relativos às amostras dos indivíduos e encaminhamento ao ICMP (International Commission on Missing Persons), laboratório sediado na Holanda, está prevista para fevereiro de 2022. 


As exumações atenderam a pedidos do Ministério Público Federal (MPF) e da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos.


Na audiência, o CAAF/Unifesp se comprometeu a realizar uma reunião com os familiares dos desaparecidos políticos, após o término da primeira fase, em março de 2022. O próximo encontro está marcado para o dia 11 de fevereiro de 2022.


Com a finalização do trabalho do CAAF -- limpeza, análise e eventual identificação das caixas em que estão misturadas ossadas de diferentes pessoas -- haverá um banco de dados com amostras genéticas de todas as ossadas, o que poderá levar a novas identificações no futuro.


Com informações da ACOM-TRF3.


Foto: Instituto Vladimir Herzog.