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Herman Benjamin: ?Qualquer ato de desvio por corrupo ou trfico de influncia (da Magistratura e do MP) o fim do mundo?
O ministro do STJ Herman Benjamin, que se despede do mandato no TSE no prximo ms, foi homenageado na ltima quinta-feira, 21, em jantar promovido pela AJUFESP (Associao dos Juzes Federais de So Paulo e Mato Grosso do Sul), Apamagis (Associao Paulista de Magistrados) e APMP (Associao Paulista do Ministrio Pblico).

Em seu discurso saudando o homenageado, o presidente da AJUFESP, Bruno Csar Lorencini, tambm lembrou- se do perodo em que trabalhou com Benjamin, bem como do ritmo intenso de demandas. “Duas coisas me impressionaram especialmente quando trabalhei com o ministro: a primeira, foi o ritmo de trabalho intenso. Fizemos mais de 60 audincias em trs meses, viajamos por todo o pas. A segunda foi a sua motivao. impossvel pessoas serem assim, como o ministro , sem que elas sejam motivadas por um ideal, sem que elas atuem por algo maior. O que me honrou e me deixou orgulhoso de ter trabalhado com ele que eu sei que a sua motivao lutar por um Brasil melhor. Nos momentos mais difceis, quando pela terceira vez quis desistir daquele trabalho pela exausto, continuei porque queria compartilhar um pouco desse ideal, dessa motivao para melhorar esse pas. Por isso, hoje, tenho a honra de homenage-lo em nome dos juzes federais”, destacou Lorencini.

O paraibano Benjamin viveu a maior parte de sua vida em So Paulo, atuando no Ministrio Pblico. Em seu discurso agradecendo a homenagem, o ministro se emocionou ao falar do desembargador Romeu Ricpero e da jurista Ada Peregrino, que morreram recentemente, e a quem atribui grande influncia em sua forma de atuar e pensar. Cercado de aproximadamente 120 pessoas, entre magistrados, representantes do MP e advogados, Herman Benjamin fez um discurso duro ao falar sobre o momento poltico do pas e tambm sobre o que se deve esperar do comportamento de juzes e procuradores. Veja os principais trechos do discurso do ministro:

SOBRE A HOMENAGEM:

Herman Benjamin deu incio ao seu discurso agradecendo s entidades pela homenagem, embora, de acordo com ele, tenha dificuldades em aceitar tais gestos, especialmente se os mesmos forem consequncias de trs razes: “A primeira, se a homenagem decorrer do meu trabalho estou certo que no mereo, pois sei que nada fiz e fao alm do meu dever. Segundo, porque se so manifestaes fruto da amizade se mostram desnecessrias porque os amigos se homenageiam no querer bem mesmo que distncia. Terceiro, se dedicam solenidade atrelada ao cargo, o merecimento menor ainda porque o cargo no nos pertence, somos ns que pertencemos ao cargo. Conforta-me saber que nenhuma dessas trs hipteses se manifestam na noite de hoje. Vejo-me como simplesmente um bom filho que retorna s boas casas e, por isso, hoje uma reunio de famlia”.

SOBRE A SITUAO POLTICA:

“O momento atual do pas diferente daquele que encontrei em 1982 quando cheguei a So Paulo. Havia esperana generalizada com a redemocratizao. Hoje, ao contrrio, o que mais se nota nas pessoas um profundo sentimento de descrena nas instituies, de abandono e escassez de alternativas democrticas, o que mais preocupante”, disse. “A atual situao brasileira nos deixa srias aquietaes. Uma delas a absoluta falncia do sistema poltico eleitoral em que se elegem desconhecidos do povo por conta de coligaes partidrias. A esmagadora maioria dos partidos funciona como rgos provisrios dos estados de modo a centralizar o real poder da cpula nacional. Isso gravssimo”, afirmou.

O PAPEL DE JUZES E REPRESENTANTES DO MP

“Juiz, promotor e procurador da Repblica devem se acautelar para evitar o trfico de influncia. Dificilmente se chega com uma mala de dinheiro para comprar o juiz ou o promotor, mas chegam as atitudes por meio de amenidades, por convites, por obsquios. O juiz e promotor so diferentes e tm que ser diferentes porque ns temos uma parcela enorme de responsabilidade no estado, que no pode ser contaminada perante a opinio pblica. A rigor, a magistratura e o Ministrio Pblico so espaos de decncia na repblica do Brasil e qualquer ato de desvio por corrupo ou trfico de influncia o fim do mundo, no sobra mais nada ao povo brasileiro. Por isso, temos que educar o jovem juiz e o jovem promotor em cuidados que devem ter na convivncia social”, afirmou. “Para finalizar, o ministro questionou: “o que mais esperam de ns juzes e promotores? O mais bvio: que cumpramos nossa funo”.