NotíciasAJUFESP

Em Congresso, presidente da AJUFESP fala em dar ao caixa 2 o mesmo tratamento que é dado à propina
"Quando poderosos são presos, veem os seus bens bloqueados, levanta-se a bandeira do excesso". A afirmação foi feita pela Procuradora da República Thaméa Danelon, integrante da força-tarefa da Lava Jato em São Paulo, na palestra de encerramento do III Congresso Ética, Corrupção e Gestão de Empresas, promovido pela AJUFESP nesta terça-feira, dia 10 de outubro, na sede da Escola de Magistrados da 2 a Região (EMAG-2).

Segundo a Procuradora, que chefia o Núcleo de Combate à Corrupção na Ministério Público Federal na capital paulista, 'é uma falácia dizer que as ações conduzidas pela Lava Jato não têm provas e se baseiam apenas na declaração de delatores'. A representante do MP defendeu enfaticamente o uso da colaboração premiada: 'Se não fosse o instituto da delação premiada, nós não teríamos o mesmo sucesso obtido pela operação Lava Jato nos últimos anos', afirmou.

Thaméa abriu sua palestra falando da operação Mãos Limpas, segundo ela, fonte de inspiração para a força-tarefa da Lava Jato, tanto por seus acertos como por seus erros. Ela usou a operação italiana para rebater críticas ao que seria o uso excessivo de prisões por parte do MP brasileiros. Segundo ela, na Itália foram presas 2.993 pessoas. A Lava-Jato, informou Thaméa, prendeu 189 pessoas. Destas, 25 continuam presas.

CAIXA 2, CAIXA N

O primeiro tema do Congresso promovido pela AJUFESP nesta terça-feira, 10, foi 'Caixa 1, Caixa 2, Caixa N' e foi apresentado pelo presidente da entidade, Juiz Federal Bruno César Lorencini. Ele atuou como juiz-auxiliar na Corregedoria do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nos últimos dois anos.

Em sua palestra, Lorencini chamou a atenção para a tentativa de minimizar o Caixa 2. Segundo ele, no direito eleitoral, Caixa 2 e corrupção 'geram o mesmo efeito'. 'Precisamos lutar contra esse fenômeno de que o Caixa 2 é mais brando que a propina, que a exigência de uma contrapartida específica do agente', afirmou o Juiz Federal. 'O Caixa 2, Caixa 3 ou 'barriga de aluguel' lesam o coração do sistema eleitoral. São mecanismos para enganar o eleitor', finalizou Lorencini.

Ainda sobre contabilidade eleitoral, falou durante o congresso o professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) Gustavo Badaró. 'Hoje, mesmo com Caixa 1, qualquer político está na mão do doador eleitoral', enfatizou o professor.

O III Congresso Ética, Corrupção e Gestão de Empresas foi uma realização da AJUFESP com apoio da Emag-3 (Escola de Magistrados da Justiça Federal da 3ª Região), Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco Itaú e Governo Federal.